O bê-á-bá dos primeiros mil dias da criança

Neste período é comum as crianças mudarem significativamente (físico e emocional) e os pais precisam acompanhar cada fase com dedicação

O bê-á-bá dos primeiros mil dias da criança
Por Dra. Priscila Zanotti Stagliorio
Pediatra e Médica de Emergência Infantil


Muitos de vocês já devem ter ouvido falar sobre os famosos “mil dias de vida das crianças” e como é importante os cuidados com a saúde, afeto e alimentação neste período. No texto de hoje, vou abordar alguns tópicos importantes sobre este tema e como os pais podem contribuir para que seus filhos aproveitem ao máximo todos os estímulos propostos nesta fase. Val dizer, ainda, que a maternidade e paternidade pode ser diferente de uma família para outra e que nunca será como as propagandas de “margarina” que nos forçam a idealizar somente momentos perfeitos. Existe no meio do caminho cansaço, exaustão, choro, birras, doencinhas e muito aprendizado para todos os envolvidos.

O que é?
Os mil dias é um termo usado na medicina para denominar o período de vida que vai da concepção até o final do segundo ano da criança. É contado a partir da gestação que dura em média 270 dias, mais dois anos sequenciais que equivalem a mais 730 dias. É importante que os pais não ofereçam doces, refrigerantes e industrializados (bolachas, enlatados e outros) para os pequenos antes dos dois anos de idade, pois a má alimentação e uso de açucares constante possibilita a chance de serem crianças e adultos obesos no futuro.


O que fazer nos primeiros mil dias da criança?
O que fazer nos primeiros mil dias da criança?. Foto:Divulgação

O que fazer nos primeiros mil dias da criança?. Foto:Divulgação

Para as mamães: os mil dias começam a ser contados antes mesmo de a mulher saber que está grávida. E é importante que ela mantenha uma alimentação balanceada, nutritiva e com a inclusão de proteínas, vitaminas, sais minerais e alimentos com ácido fólico durante a gestação para evitar a má-formação do feto. Também, faça acompanhamento mensal com um médico (a) ginecologista para a realização do pré-natal e exames de praxe ao longo das semanas gestacionais, além de vacinar-se contra possíveis doenças. Se puderem optar pelo parto natural, recomendo como melhor e mais seguro para o bebê, pois ele estará “maduro” e pronto para chegar ao mundo. Após o parto, é necessário que a mamãe mantenha a qualidade na alimentação e que ofereça (se possível) o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de vida do bebê. Para as mamães que não conseguem amamentar, é importante o acompanhamento do pediatra para orientar sobre complementos alimentares para assegurar a saúde e pleno desenvolvimento dos bebês até os dois anos de idade ou mais.

Para os bebês: como dito antes, a contagem dos mil dias ocorre ainda durante a gestação, que compreende o desenvolvimento dos órgãos, sentidos e afeto do bebê para com sua mãe e familiares. Saiba que a audição do bebê começa a ser desenvolvida ainda dentro da barriga da mamãe por volta do quinto mês de gestação. Portanto, é essencial conversar com bebês e desenvolver laços com ele antes do nascimento. É importante que os pais tenham consciência sobre os cuidados gerais da criança antes de completarem os dois anos, pois neste período elas precisam de segurança, conforto, afeto e muitos exemplos “bons” para seguirem nas outras fases. Para entenderem melhor, exemplificarei a seguir os meses e fases da criança.

A fase dos 0 aos 12 meses é o momento de muitas mudanças e rápidas!

Desde que nasce, a criança passa por transformações semanais e isso é perceptível no físico, emocional e na sua saúde. Muitas famílias me procuram nesta fase com reclamações sobre cólicas, choro excessivo do bebê, privação de sono, entre outros percalços comuns no início de vida do bebê. Para todas as mamães e papais sempre digo que entre o primeiro e terceiro mês da criança é como se fosse uma adaptação para ambos – o bebê está conhecendo o novo mundo fora do corpo da mamãe e a família aprendendo a lidar com ele (e não importa se já possuem um, dois ou mais filhos). É importante acompanhar o calendário de vacinas e no primeiro ano realizar visitas mensais com o pediatra para que acompanhe o pleno desenvolvimento físico e emocional do seu bebê.

No primeiro mês o bebê não possui controle sobre seu corpo e seus reflexos são involuntários. Costuma mamar cerca de 10 a 15 vezes diariamente e em pequenos períodos – ele ainda não tem forças para mamar seguidos e longos minutos – dormindo cerca de 18 a 22 horas por dia, intercalados com as mamadas. Sua visão é baixa e enxerga tudo como se estivesse embaçado por causa da retina dos olhinhos que ainda não estão unidas, o que favorece a nitidez apenas com a visualização próxima de 20 a 30 centímetros de seu rostinho. Sua audição é excelente e chega próxima a de um adulto por ter sido desenvolvida ainda dentro do ventre. Percebam que na hora do parto quando a mamãe fala com o bebê, por segundos ele reconhece o som e parece não chorar por sentir-se seguro. Com 20 dias de vida é comum o bebê iniciar o processo de emissão de sons em resposta aos estímulos ou vira a cabecinha à procura do barulho que reconhece.

Entre o segundo e terceiro mês o desenvolvimento do bebê é progressivo tanto a criança como os pais já estarão mais afinados um com o outro. Neste período o bebê já começa a demonstrar afeto com sorrisos e olhares. Consegue dominar um pouco mais o corpinho, como, por exemplo, virar a cabeça para o lado quando colocado de bruços acordado. Em pé, parece querer andar, mas são reflexos involuntário que caracterizam a marcha. Após o terceiro mês tenderá a ficar com a coluna mais ereta e as pernas mais fixas. Nesta fase o sono muda permitindo que a criança fique acordada períodos mais prolongados durante o dia e durma melhor a noite. Começa a levar a mão à boca, assim como brinquedos (apropriados).

Do quarto ao sexto mês os bebês já possuem melhores reflexos corporais e neurológicos, conseguindo sentar e brincar livremente – é legal colocá-los deitados de barriguinha para cima com brinquedos à sua volta para estimulá-los a pegar, assim como utilizar acessórios suspensos para que possam balançar com as mãos e chutar com os pequenos pezinhos. Eles adoram as cores primárias e objetos brilhantes, use e abuse destes estímulos, mas compre-os sempre em locais com procedência de qualidade para evitar alergias e riscos de algo pior. A partir desta idade o bebê se sente mais seguro para, inclusive, explorar os ambientes sem a necessidade de um adulto por perto (ao lado) e os pais podem deixá-los (à uma distância segura) brincarem com seus objetos e até mesmo com o próprio corpo para aprender a distinguir melhor o que o rodeia.

Do sétimo ao décimo mês o bebê já passou por mudanças significativas, tendo melhor domínio nos movimentos da face – olhos, boca e mãos trabalham com melhor coordenação motora. Os dentes já apontam e em alguns casos provocam dor e febre – fale com o pediatra sempre ao menor sinal. A alimentação muda e passam a comer alimentos mais saborosos, pastosos e sólidos, doces e salgados – veja com o pediatra quais são os mais apropriados para cada fase. A criança começa a realizar movimentos de pinça (fecha o dedo polegar com o indicador), assim como segura com firmeza brinquedos e tudo o que estiver ao seu alcance, além de transferi-los de uma mão para outra com habilidade e tudo se torna uma festa. É importante oferecer locais seguros e adequados para as crianças se desenvolverem e ampliarem seus conhecimentos. O uso de roupas e calçados leves e confortáveis são imprescindíveis para que possam desbravar o mundo a sua frente.

Entre o décimo primeiro e o décimo segundo mês (primeiro aninho) é o ápice das descobertas. Prestes a completar o primeiro aniversário, a criança já balbucia algumas palavras, acena, imita gestos e sons, anda e até já corre pela casa, mexe em tudo e enlouquece os pais com demonstrações de fofuras e, também, de birras. É uma mistura de teste do que pode ou não e do que gosta ou não. Nesta fase é comum os bebês não aceitarem mais determinados alimentos e apontar com salivação para outros. A partir desta idade os pais podem, com auxílio da pediatra, mudar a alimentação do bebê e passar a oferecer o que os adultos comem nas refeições, com moderação para frituras e carboidratos. Evitar Fast Food e tudo que pode promover alergias é fundamental para garantir a saúde dos bebês. Também, os pais devem criar rotinas e regras para que os pequenos acompanhem no presente e no futuro, uma vez que são aptos a imitar e absorver tudo o que lhe é ensinado. O primeiro ano do bebê é mágico. Costumo dizer que o aniversário de um aninho é para a criança e para os pais, pois ambos aprenderam juntos como conviver entre acertos e erros. Por tal, a festa pode e deve ser feita com muito carinho para prestigiar a vida e os melhores momentos da família.

Segundo ano do bebê – também conhecido como adolescência da primeira infância e teste emocional

Quantas mães e pais você conhece que relatam uma mudança brutal no comportamento dos bebês a partir do primeiro ano de vida dele? De fato, isso ocorre e deixa muitos pais, que antes estavam na zona de conforto, de cabelo em pé e com sentimento de impotência, pois os bebês começam a descobrir o mundo e buscar mais independência! Lembre-se de seguir as recomendações do pediatra no que diz respeito a alimentação, medicamentos para as doencinhas da idade e, principalmente, nas aplicações de vacinas, tão importantes para manter a saúde em dia dos pequenos.

Entre 13 a 16 meses é comum os bebês experimentarem novos passos, quedas e até machucadinhos. O andar ainda é desengonçado e algumas crianças apenas engatinham. Evite o uso de andadores ou assessórios que os coloque em risco. Os pais ou cuidadores devem sempre estar presentes e próximos para orientá-los e observar tudo o que lhes interessa. Aproveite para brincar, conversar e ensinar a guardar os brinquedos, por exemplo. A partir desta fase eles já possuem a percepção de que são pessoas separadas da mamãe. Mostre-os no espelho e veja sua reação, algumas crianças se reconhecem de primeiro e outras aos poucos, mas a brincadeira é ótima para a autoestima.

Entre 17 a 20 meses nesta fase os bebês se percebem como indivíduos, mas ainda possuem laços fortes com as pessoas que cuidam deles (principalmente com a mamãe) e, por tal, alguns choram quando percebem a sua ausência. Também, já reconhecem membros de seu corpo como, por exemplo, o nariz, braço, pernas e pés. Explore brincadeiras que estimulem o autoconhecimento. Neste período é comum também as famosas crises de birra. É como se ele estivesse mostrando ao mundo que possui personalidade e vontades próprias. Quando ocorrerem momentos de teste de paciência, mantenha a tranquilidade e tente acalmar a criança para somente depois corrigi-la. Lembre-se que agressões físicas ou verbais não são apropriadas e tão pouco ajudam. Tente conversar com a criança, abrace-a e mostre que você tem o controle usando ternura.

Entre 21 a 23 meses é comum acharmos que nossos bebês já são mocinhos, lindos e cheios de charme. Porém, ainda estão conhecendo o mundo e possuem imaturidade intelectual, tanto que realizam uma atividade ou travessura e logo se esquecem, relembrando somente dias depois. Sua fala ainda é limitada e sem sentido. A criança tentará se comunicar com gestos e palavras, mas não com frases completas. Para ajudá-lo, narre o que você faz para que a criança entenda e possa compreender melhor. Nesta fase os pais já podem impor limites e ensinar, também, o que pode ou não ser feito – por exemplo, brincar com água, no quintal ou dividir brinquedos com os coleguinhas. Aproveite também para iniciar o processo do desfralde, já que a criança possui percepção que está prestes a fazer xixi e cocô e oferece sinais aos pais. Nunca dê broncas quando escapulir no chão ou no sofá, desta maneira você o ajuda a crescer saudável e evita traumas. É natural, também, que a criança esteja amando o que está realizando e repentinamente passe a odiá-la. Isso faz parte do aprendizado e construção de suas escolhas e independência. Mantenha a calma sempre!

24 meses – final do ciclo dos mil dias de vida – neste período, ao completar dois aninhos, o bebê já demonstra algumas habilidades, vontades e principalmente sua personalidade. Aproveite para cantar ou dançar com ele e lhe mostrar várias possibilidades de diversão e aprendizado. Visite o pediatra para tirar dúvidas e verificar se tudo está bem, incluindo possíveis riscos de doenças da idade. Aos dois anos de idade é a fase em que a eles buscam autoafirmação perante aos demais de seu convívio, assim como testam os limites de todos ao promoverem momentos de birra. Não é à toa que os dois aninhos também é conhecido como a” adolescência do bebê”, pois alguns mudam repentinamente de comportamento chegando a colocar em cheque os ensinamentos de seus pais. Calma, é uma fase e logo passará e é importante manter-se firme na aplicação de correções e sempre à disposição para amar e aprender junto deles!

Recomendações finais: como disse no início deste artigo, a maternidade e paternidade não é igual para todas as famílias e as crianças não são idênticas em seu comportamento e emoções, mesmo entre irmãos. Portanto não idealize um filho perfeito ou o compare com outras crianças. Aproveite para vivenciar cada momento com muito amor e ternura. Não será fácil, você não terá descanso prolongado e nunca mais dormirá uma noite inteira. Os custos serão altos, especialmente quando queremos realizar os sonhos deles, mas basta um sorriso ou um abraço para fazer tudo valer a pena! Os primeiros mil dias de vida são importantes para o crescimento e desenvolvimento saudável do bebê, mas os próximos 20 mil serão determinantes para compor uma linda e inesquecível história de convivência e muitas conquistas! Sejam felizes e contem sempre comigo como pediatra para ajudar – seja na doença ou na alegria!

O meu objetivo nesta matéria é relatar sobre O bê-á-bá dos primeiros mil dias da criança e tambem tirar suas duvidas, se está a procura de informação ou como encontrar o produto ou telefone de contato de empresas sobre: snapchat , newsletter - visitabudhabi.ae , http://searchdip.com/ - bing , google , criança enxaga com dois meses? ,

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